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1. Tabela das principais propriedades dos aços

 

Propriedade Valor típico Observações
Massa volúmica ~7,8 g/cm³ Elevada
Módulo de elasticidade (E) ~200–210 GPa Muito elevado
Resistência à tração ~400–2000 MPa Depende do tratamento
Dureza (HV) ~150–800 HV Muito variável
Condutividade térmica ~15–50 W/m·K Moderada
Condutividade elétrica ~1–10 MS/m Fraca a moderada
Dilatação térmica ~10–17 ×10⁻⁶ /K Variável
Ponto de fusão ~1370–1510 °C Depende da liga
Magnetismo Sim (geralmente)
Resistência à corrosão Variável Inox: excelente
Usinabilidade Boa a moderada
Aço

2. Descrição geral

Os aços constituem uma família de ligas caracterizadas pela adição de uma taxa variável de carbono e ferro. Outros elementos podem completar a liga para conferir ao aço uma gama muito ampla de propriedades mecânicas e físicas. A taxa de carbono determina a dureza da liga. Fala-se de aços macios ou extra-macios para baixos teores de carbono (-0,20 a 0,40%) e de aços duros ou extra-duros para altos teores de carbono (-0,40 a 0,70%). Embora o aço seja uma liga, fala-se de aço não ligado quando ele contém apenas ferro e carbono.
Um grande número de elementos pode ser adicionado ao ferro e ao carbono. O crómio, o níquel, o tungsténio, o titânio, o alumínio, o vanádio, o fósforo ou o silício constituem os principais. Alguns, consoante o seu teor, melhoram a resistência à corrosão, outros favorecem a maquinabilidade ou a temperabilidade, etc. Na relojoaria, ocupam um lugar central devido ao seu excelente compromisso entre resistência mecânica, elasticidade, maquinabilidade e estabilidade dimensional.

3. História

Pode considerar-se que existem três produtos ferrosos: o ferro, a fundição e o aço. Historicamente, a idade do ferro começa (consoante as culturas) por volta do ano -1200. Os chineses realizam as primeiras fundições de ferro fundido por volta do ano -500. Assim, produzem os primeiros aços, sendo o ferro recarburado em contacto com o carvão vegetal. Na Antiguidade, adicionam-se gases de combustão ao carvão vegetal para recarburar o ferro e melhorar a sua dureza (nomeadamente a do fio de ferramentas e armas).

A teorização das ligas começa no século 18e, mas é preciso esperar até meados do século 19e século para que a ciência permitisse compreendê-los e produzir aços de qualidade. Em 1855, Henry Bessemer registou a patente de um processo de produção de aço a baixo custo que iria marcar a revolução industrial. Já no início do século 20, o conversor a ar do processo Bessemer é substituído por conversores a gás (oxigénio) líquido, muito mais precisos, eficientes e económicos.

A ciência dos materiais não parou de evoluir desde então. A natureza e a composição das ligas, bem como os processos de produção do aço, evoluem continuamente para produzir materiais cada vez mais adaptados e eficientes.

4. Tipos de aços utilizados na relojoaria

Aços ao carbono

São os aços tradicionais utilizados para:

Características:

  • Muito boa dureza após têmpera
  • Excelente acabamento possível (polimento espelhado)
  • Sensível à corrosão

Aços inoxidáveis

Os aços inoxidáveis contêm pelo menos 10,5% de crómio, o que forma uma camada protetora contra a corrosão.

Utilização:

Exemplos:

  • 316L (padrão relojoeiro)
  • 904L (melhor resistência à corrosão, mais caro)

Aços para molas

Utilizados para os espirais (historicamente) e as molas diversas.

Exemplos:

  • Aços ao carbono melhorados
  • Ligas tipo Elinvar (baixo coeficiente térmico)

Aços ligados especiais

Aços enriquecidos com elementos de liga para melhorar certas propriedades:

  • Crómio, molibdénio → resistência ao desgaste
  • Níquel → tenacidade
  • Silício → elasticidade

Utilizados para:

  • Rodas dentadas
  • Pinhões
  • Componentes sujeitos a fadiga

5. Aplicações relojoeiras

Os aços são utilizados para numerosos componentes:

  • Eixos e pivôs → resistência + precisão
  • Parafuso → resistência mecânica
  • Molas → elasticidade
  • Ferramentas relojoeiras → dureza
  • Caixas → resistência à corrosão (inox)

6. Tratamentos térmicos e de superfície

As propriedades dos aços dependem fortemente dos tratamentos aplicados:

  • Têmpera → aumento da dureza
  • Revenido → melhoria da resiliência
  • Nitretação → elevada dureza superficial
  • Polimento → redução do atrito

7. Vantagens e limitações

Vantagens
  • Excelente resistência mecânica
  • Grande rigidez (módulo elevado)
  • Muito boa resistência ao desgaste após tratamento
  • Boa aptidão para tratamentos térmicos
  • Usinabilidade controlada
  • Polivalência (ampla gama de ligas)
  • Custo controlado
  • Possibilidade de acabamentos de altíssima qualidade (polimento espelhado)

Limites
  • Sensibilidade ao magnetismo
  • Risco de corrosão (exceto inox)
  • Massa relativamente elevada
  • Atrito superior a alguns materiais modernos

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