A TEMPERATURA
A temperatura é uma grandeza física que traduz o estado de agitação térmica das partículas que constituem a matéria. Quanto mais intensa é essa agitação, mais elevada é a temperatura. Mede-se com um termômetro.
Unidades de medida
Três unidades coexistem consoante os contextos e as regiões do mundo.
O grau Celsius (°C) é a unidade mais difundida na Europa e na maioria dos países. A sua escala é definida por dois pontos de referência físicos: o ponto de fusão da água a 0 °C e o seu ponto de ebulição a 100 °C, ambos medidos a uma pressão atmosférica de 1 bar.
O grau Fahrenheit (°F) é utilizado nos Estados Unidos e em alguns países anglo-saxónicos. A sua escala, mais reduzida, estabelece as seguintes correspondências: 0 °C = 32 °F e 100 °C = 212 °F.
O Kelvin (K) é a unidade oficial do Sistema Internacional de medidas (SI). A sua escala é idêntica à do Celsius — uma diferença de 1 K corresponde exatamente a uma diferença de 1 °C — mas a sua origem está fixada no zero absoluto, ou seja, a Temperatura teórica na qual toda a agitação térmica cessa (−273,15 °C). Assim, 0 °C = 273,15 K.
Papel na relojoaria
Fabrico e metrologia
As máquinas-ferramenta utilizadas na relojoaria atingem habitualmente precisões da ordem do Micrômetro (10⁻⁶ m). Nesta escala, as variações dimensionais induzidas pelas flutuações térmicas podem comprometer a conformidade das peças maquinadas. A estabilidade térmica dos ambientes de produção constitui, portanto, uma condição essencial para a manutenção destas tolerâncias.
Dilatação térmica e escolha dos materiais
Todo material sólido dilata-se sob o efeito do calor e contrai-se sob o efeito do frio, segundo um coeficiente próprio a cada material: o Coeficiente de dilatação térmica. Num Movimento Relojoeiro, onde os componentes são ajustados com uma precisão extrema, essas variações dimensionais podem alterar de forma significativa a Regulação e a precisão cronométrica. O coeficiente de dilatação constitui assim um dos critérios determinantes na escolha dos Materiais, em particular para os órgãos reguladores.
Foi precisamente este problema que Charles-Édouard Guillaume resolveu com a descoberta do Invar e do Elinvar, duas ligas de Aço com dilatação quase nula. Estes trabalhos valeram-lhe o Prémio Nobel de Química em 1920 e marcaram um avanço decisivo para a precisão relojoeira.
Tratamentos térmicos
A temperatura também desempenha um papel central nos processos de fabrico. Os tratamentos térmicos — têmpera, revenido, recozimento — modificam as propriedades mecânicas dos metais e requerem uma medição e um controlo precisos das temperaturas aplicadas. Se a indústria recorre a sistemas de medição térmica sofisticados, a tradição artesanal conserva os seus próprios pontos de referência: o artesão experiente avalia a temperatura de revenido do aço a olho nu, lendo a sucessão de cores de oxidação que o metal aquecido toma — do amarelo palha ao azul aço — cada tonalidade correspondendo a uma faixa de temperatura característica.
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