O TORNO DE GUILHOCHÉ
1. História
O guilhoché, tal como o conhecemos na relojoaria, surge ao longo do século 18º com a chegada das primeiras máquinas: as “linhas retas” e os tornos de guilhoché. Ambos servem para gravar um motivo repetido (linear para a máquina em linha e circular para o torno de guilhoché). O guilhoché surge numa altura em que a arte da esmaltação está no seu apogeu. As duas artes são então frequentemente associadas em decorações flanqueadas a ornamentar caixas de joias, caixas de tabaco e, evidentemente, os fundos das caixas e os mostradores.
2. Descrição e funcionamento
Figura 1
Torno de guilhoché
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O torno de guilhoché é uma máquina de gravação acionada manualmente pelo guilhochador. Ao acionar uma polia ou uma roda dentada por meio de uma manivela ou de um pedal, ele movimenta o eixo no qual está solidamente fixado e centrado o objeto a gravar, bem como as cames (ou rosetas), num Movimento rotativo. O domínio da velocidade de rotação ideal é essencial para garantir um sulco regular e brilhante. A outra mão do artesão empurra o Carro que suporta o buril para controlar a sua pressão sobre o material. O eixo é móvel transversalmente. A roseta é mantida em contacto permanente com um dedo (chamado apalpador), sendo o eixo móvel forçado por uma mola de tensão regulável. Quando o eixo é posto em rotação pelo artesão guilhochador, as reentrâncias e as saliências da roseta repercutem-se em movimento lateral oscilatório sobre o eixo. É o número de saliências da roseta, a sua amplitude e o eventual desfasamento angular de cada sulco gravado que determinarão a fisionomia do motivo.
Figura 2
Rosetas de um torno de guilhoché
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Embora o torno de guilhoché seja considerado uma máquina, o guilhoché tal como descrito aqui é uma gravação manual artesanal que requer grande destreza e experiência. Tal como na gravação à mão, a forma do buril influenciará o efeito visual da decoração. Os burís são assim escolhidos e moldados consoante a decoração específica a guilhochar.
3. Materiais privilegiados para o guilhoché
A maioria dos metais pode ser guilhochada, assim como a madrepérola. Prefere-se os metais maleáveis com um belo brilho. A prata e o ouro são, assim, os materiais mais apreciados.
Atualmente, motivos semelhantes ao guilhoché podem ser realizados por fresagem ou por estampagem. Em ambos os casos, o brilho do sulco é incomparável ao de um guilhoché feito à mão. Estas últimas técnicas são frequentemente, e erroneamente, designadas como guilhoché.
Se a atividade do guilhoché conhece um novo impulso e parece duradouramente sustentável, praticamente já não se fabricam, hoje em dia, tornos de guilhoché.
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